ANGOLA – 33 ANOS DEPOIS

Angola celebra hoje, 11 de Novembro, o 33º aniversário da independência nacional.

Há 33 anos, o primeiro presidente de Angola e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Agostinho Neto, numa cerimónia realizada em Luanda, a capital do país, no Largo 1º de Maio, proclamava a independência do país.

Hoje, os angolanos constroem um país livre e democrático. Conquistada a paz, Angola está no caminho da reconstrução nacional e do desenvolvimento económico e social, do progressso e do bem-estar.

Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura

Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
Vão em busca de vida.

Agostinho Neto, de “Adeus à hora da largada“, in Sagrada Esperança

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ESTE NÃO É O MEU CAMINHO

bifurcacaoUmas SMS sugerem aos professores que se demitam dos órgãos de gestão para lançar o caos na educação.

Outras afirmam que o processo de avaliação já está suspenso…

Este é um processo lamentável que não dignifica quem o patrocina e, mais grave, não credibiliza toda uma classe profissional. Os professores sérios e dignos não se revêem nestas formas abstrusas de agitação ao nível do melhor estilo PREC.

Não sei de onde partiram estas SMS… sei sim que este não é o meu caminho.

Estou indignado e chocado com toda esta situação… Não é assim que damos voz à nossa razão.

Estamos num estado de direito. As leis devem ser cumpridas…

É nos locais próprios que os professores, através das suas organizações sindicais, devem esgrimir pontos de vista. Esse local é a concertação social. É através do diálogo social que as diferenças são resolvidas. É assim que se vive em democracia. Respeitando as regras de um estado de direito.

O Diploma deve ser aplicado… Se os sindicatos já não querem participar na Comissão Paritária que eles próprio sugeriram, então que seja o Conselho de Escolas e os órgãos e estruturas das escolas e agrupamentos a, seriamente, colocarem todas as questões pertinentes e todas as alterações necessárias para que o sistema de avaliação seja mais confortável para todos nós, mais exequível, com menos espaço ao arbítrio de alguns, …

Muitos dizem-me: vem por aqui. Eu respondo que por aí não vou. Esse não é o meu caminho… O meu caminho é o da democracia, da liberdade, do estado de direito, da responsabilidade, da ética e do diálogo social.

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!

José Régio, in Poemas de Deus e do Diabo