DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE PROFESSORES

070604_porA presente publicação reúne as comunicações apresentadas na Conferência “Desenvolvimento Profissional de Professores para a Qualidade e para a Equidade da Aprendizagem ao longo da Vida“, realizada em Lisboa (27 e 28 de Setembro de 2007) no quadro das iniciativas da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.

Para ler e reflectir… em formato [pdf]

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A QUEM DÁ JEITO ESTE ENSINO?

profTranscrevo o artigo de opinião escrito por Paulo Ferreira no JN com o título acima.

Penso que faz uma análise correcta a toda esta triste situação a que nós chegámos.

1. O recuo ensaiado pelo Governo para sossegar os ânimos exaltados dos professores e dos sindicatos e federações que supostamente os representam não funcionou.

Mal a ministra da Educação acabou de assumir e explicar as debilidades encontradas no “modelo” de avaliação, apontando soluções para as ultrapassar, choveram críticas dos mesmos sindicatos e das federações. Para quem ainda tinha dúvidas, ficou tudo esclarecido: não há nenhum problema “técnico” com as avaliações. Há um problema político, que é o de agastar o Governo e afastar a ministra. Dê por onde der. Bem pode o engenheiro Sócrates convocar solenes conselhos de ministros para encontrar pontos de fuga. É tempo perdido: nada satisfará convenientemente os sindicatos e as federações. Tudo o que não inclua a “cabeça” da ministra saberá a pouco.

Há dias, numa mesa informal, dizia-me uma docente: os professores andam tristes e desgostosos como nunca. Não se pode ser insensível a este argumento, porque ele traduz a quase capitulação dos docentes quando colocados perante um “sistema” que lhes rouba o prazer e lhes acrescenta burocracia. Mas a verdade é que, se deixam colar-se em excesso à intransigência que apenas serve fins políticos sindicais – logo partidários -, é a sua própria imagem que começa a ficar em xeque.

É que desta trapalhada toda resulta uma coisa muito clara: se o Governo voltar à estaca zero, aceitando suspender o processo de avaliação, nas próximas décadas nada de fundamental mudará na Educação. Por uma muito simples razão: todos os governos pensarão meia dúzia de vezes antes de propor alterações, não vá calhar-lhes em sorte uma manifestação de 120 mil professores. Ora isso pode dar muito jeito aos sindicatos e federações, sobretudo os arregimentados ao PCP, mas não é líquido que dê assim tanto jeito a alunos e professores.

Um sistema de ensino anquilosado, preso por ténues fios a convicções de circunstância e a espúrios equilíbrios políticos e partidários é tudo o que o país não precisa. Que partidos mais à Esquerda, como PCP e Bloco de Esquerda, se estejam nas tintas para este facto não é de estranhar. Mas que o PSD, desde logo por saber que a “bomba” lhe pode cair nas mãos, também não ligue patavina a este facto já é revelador de uma certa irresponsabilidade.

2. E por falar em PSD… As bizarras declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a impossibilidade de se fazerem reformas em democracia foram, a meu ver, o princípio do fim do seu (curto) reinado à frente do PSD. O verdadeiro drama do partido começa agora. Quem se chega à frente para a substituir? Haverá maneira de os vários grupos e grupinhos liderados por barões e concorrentes a barões se entenderem? Em nome de quê? Entregue a si próprio, o PSD é um perigo.