A QUEM DÁ JEITO ESTE ENSINO?

profTranscrevo o artigo de opinião escrito por Paulo Ferreira no JN com o título acima.

Penso que faz uma análise correcta a toda esta triste situação a que nós chegámos.

1. O recuo ensaiado pelo Governo para sossegar os ânimos exaltados dos professores e dos sindicatos e federações que supostamente os representam não funcionou.

Mal a ministra da Educação acabou de assumir e explicar as debilidades encontradas no “modelo” de avaliação, apontando soluções para as ultrapassar, choveram críticas dos mesmos sindicatos e das federações. Para quem ainda tinha dúvidas, ficou tudo esclarecido: não há nenhum problema “técnico” com as avaliações. Há um problema político, que é o de agastar o Governo e afastar a ministra. Dê por onde der. Bem pode o engenheiro Sócrates convocar solenes conselhos de ministros para encontrar pontos de fuga. É tempo perdido: nada satisfará convenientemente os sindicatos e as federações. Tudo o que não inclua a “cabeça” da ministra saberá a pouco.

Há dias, numa mesa informal, dizia-me uma docente: os professores andam tristes e desgostosos como nunca. Não se pode ser insensível a este argumento, porque ele traduz a quase capitulação dos docentes quando colocados perante um “sistema” que lhes rouba o prazer e lhes acrescenta burocracia. Mas a verdade é que, se deixam colar-se em excesso à intransigência que apenas serve fins políticos sindicais – logo partidários -, é a sua própria imagem que começa a ficar em xeque.

É que desta trapalhada toda resulta uma coisa muito clara: se o Governo voltar à estaca zero, aceitando suspender o processo de avaliação, nas próximas décadas nada de fundamental mudará na Educação. Por uma muito simples razão: todos os governos pensarão meia dúzia de vezes antes de propor alterações, não vá calhar-lhes em sorte uma manifestação de 120 mil professores. Ora isso pode dar muito jeito aos sindicatos e federações, sobretudo os arregimentados ao PCP, mas não é líquido que dê assim tanto jeito a alunos e professores.

Um sistema de ensino anquilosado, preso por ténues fios a convicções de circunstância e a espúrios equilíbrios políticos e partidários é tudo o que o país não precisa. Que partidos mais à Esquerda, como PCP e Bloco de Esquerda, se estejam nas tintas para este facto não é de estranhar. Mas que o PSD, desde logo por saber que a “bomba” lhe pode cair nas mãos, também não ligue patavina a este facto já é revelador de uma certa irresponsabilidade.

2. E por falar em PSD… As bizarras declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a impossibilidade de se fazerem reformas em democracia foram, a meu ver, o princípio do fim do seu (curto) reinado à frente do PSD. O verdadeiro drama do partido começa agora. Quem se chega à frente para a substituir? Haverá maneira de os vários grupos e grupinhos liderados por barões e concorrentes a barões se entenderem? Em nome de quê? Entregue a si próprio, o PSD é um perigo.

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Um pensamento sobre “A QUEM DÁ JEITO ESTE ENSINO?

  1. Não me revejo nesta análise e não percebo o porqê de o colega achar que ela é correcta face ao momento que atravessamos. Não sou nem nunca fui do PSD. Não sou, nem nunca fui do PCP. Não sou e tento nunca ser “carneiro” ou “pau mandado”… Esta análise, completamente fora de contexto, parece que entende os 120000 professores que estiveram em Lisboa (eu fui um deles) como uma cambada de mentecaptos e débeis mentais facilmente arregimentados pelos partidos políticos. Quem assim considera um grupo profissional dos mais qualificados do nosso país só pode estar a fazer projecções pessoais: só os “carneiros” assim pensam!

    E EU ESCREVO…
    Já vi e já participei em muitas lutas. Mas esta situação que hoje se vive na educação tem algo de novo que nos deve levar a reflectir. Os sindicatos foram ultrapassados pelas posições genuínas que os professores tomaram na defesa do ensino público. Mas perante as posições tão extremadas e radicalizadas, já ninguém tem razão, nem os sindicatos nem o governo. E quando já ninguém tem razão, muito dificilmente virão tempos de sensatez e de racionalidade. Há alturas da vida em que devemos ter a coragem de parar se quisermos construir algo de positivo. Mas… eu só exponho as minhas ideias… nunca OFENDI ninguém… nem nunca me deixei levar por nenhuma “onda”…

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