GREVE DOS PROFESSORES

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Ao contrário da anterior, apesar das diferenças dos números, esta greve foi menos participada.

Será que ainda é preciso “mais” para que TODOS possamos retirar conclusões?

Será que ainda ninguém precebeu que esta espiral de radicalização nos tem levado a um beco sem saída?

Prolongar este clima apenas contribui para o prejuízo de todos: alunos, pais e professores… para construir uma alternativa é preciso que os ânimos se acalmem… PARAR e PENSAR…

DIÁLOGO É PRECISO! Persistir no radicalismo é irresponsabilidade.

É PRECISO SER VIME: CEDER PARA NÃO QUEBRAR!

Como já aqui escrevi, há alturas da vida em que temos de ser “vime” para que a “tormenta” não nos quebre como acontece ao inflexível “carvalho”.

Para não perdermos a razão, persistir num ambiente de PREC, de agitação e de radicalização, é uma entrada num beco de muito difícil saída. A continuação deste ambiente interessa a alguns, mas não interessa certamente aos professores que apenas pretendem um modelo mais justo, mais exequível e mais adequado à nossa realidade.

É também dever dos professores dar o exemplo cívico e ético de conferir serenidade ao processo educativo. Os professores e os alunos merecem-no.

A meu ver, esta é, portanto, a hora do diálogo. Já basta… é hora de passar a outra fase. Apenas em serenidade se consegue encontrar caminhos de consensualidade que respeitem os princípios da avaliação feita pelos pares, do reforço da componente formativa e do reconhecimento do mérito.

Só com calma e racionalidade, com espírito de diálogo e com seriedade, se consegue construir um novo sistema de avaliação.

Há questões no estatuto e neste modelo de avaliação que precisam ser aperfeiçoadas e outras que devem ser eliminadas. A título de exemplo:

  • A divisão da carreira em professores e professores titulares (não é necessária esta divisão para que a avaliação seja feita por pares);
  • A observação de aulas exige preparação, formação em supervisão pedagógica (a aplicação universal do modelo não permite esta formação prévia:  seria aconselhável haver um tempo de experimentação em alguns agrupamentos, preparar os professores avaliadores para estas novas funções);
  • Não temos preparação específica para construir instrumentos de registo de avaliação (de que serve a autonomia se não estamos preparados para ela?).

Bem sei que alguns estarão sempre contra, qualquer que seja o modelo de avaliação…

É um caminho difícil e exigente… mas a credibilidade da escola pública assim o exige.

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A QUEM DÁ JEITO ESTE ENSINO?

profTranscrevo o artigo de opinião escrito por Paulo Ferreira no JN com o título acima.

Penso que faz uma análise correcta a toda esta triste situação a que nós chegámos.

1. O recuo ensaiado pelo Governo para sossegar os ânimos exaltados dos professores e dos sindicatos e federações que supostamente os representam não funcionou.

Mal a ministra da Educação acabou de assumir e explicar as debilidades encontradas no “modelo” de avaliação, apontando soluções para as ultrapassar, choveram críticas dos mesmos sindicatos e das federações. Para quem ainda tinha dúvidas, ficou tudo esclarecido: não há nenhum problema “técnico” com as avaliações. Há um problema político, que é o de agastar o Governo e afastar a ministra. Dê por onde der. Bem pode o engenheiro Sócrates convocar solenes conselhos de ministros para encontrar pontos de fuga. É tempo perdido: nada satisfará convenientemente os sindicatos e as federações. Tudo o que não inclua a “cabeça” da ministra saberá a pouco.

Há dias, numa mesa informal, dizia-me uma docente: os professores andam tristes e desgostosos como nunca. Não se pode ser insensível a este argumento, porque ele traduz a quase capitulação dos docentes quando colocados perante um “sistema” que lhes rouba o prazer e lhes acrescenta burocracia. Mas a verdade é que, se deixam colar-se em excesso à intransigência que apenas serve fins políticos sindicais – logo partidários -, é a sua própria imagem que começa a ficar em xeque.

É que desta trapalhada toda resulta uma coisa muito clara: se o Governo voltar à estaca zero, aceitando suspender o processo de avaliação, nas próximas décadas nada de fundamental mudará na Educação. Por uma muito simples razão: todos os governos pensarão meia dúzia de vezes antes de propor alterações, não vá calhar-lhes em sorte uma manifestação de 120 mil professores. Ora isso pode dar muito jeito aos sindicatos e federações, sobretudo os arregimentados ao PCP, mas não é líquido que dê assim tanto jeito a alunos e professores.

Um sistema de ensino anquilosado, preso por ténues fios a convicções de circunstância e a espúrios equilíbrios políticos e partidários é tudo o que o país não precisa. Que partidos mais à Esquerda, como PCP e Bloco de Esquerda, se estejam nas tintas para este facto não é de estranhar. Mas que o PSD, desde logo por saber que a “bomba” lhe pode cair nas mãos, também não ligue patavina a este facto já é revelador de uma certa irresponsabilidade.

2. E por falar em PSD… As bizarras declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a impossibilidade de se fazerem reformas em democracia foram, a meu ver, o princípio do fim do seu (curto) reinado à frente do PSD. O verdadeiro drama do partido começa agora. Quem se chega à frente para a substituir? Haverá maneira de os vários grupos e grupinhos liderados por barões e concorrentes a barões se entenderem? Em nome de quê? Entregue a si próprio, o PSD é um perigo.